C N V - Comunicação Não Violenta

A Comunicação Não-Violenta opera em três níveis

Existem três níveis interdependentes que se cruzam, informam e influenciam quando tratamos de comunicação não-violenta. De modo didático, eles podem ser entendidos separadamente, mas na prática da vida a tendência é que eles não se esgotem em si mesmos.

O primeiro nível é o intrapessoal e diz respeito à nossa relação com nós mesmos. É aqui que entram nossas expectativas e também a maneira como nosso corpo, nossos pensamentos e nossos sentimentos se articulam.

O segundo nível é o interpessoal, aquele que se refere à minha relação com o outro. Até uns dias atrás, eu achava que esse era o único campo de atuação da CNV, porque é o mais evidente, é onde o diálogo se mostra possível.

O terceiro nível é o sistêmico, correspondendo aos sistemas coletivos de acordos implícitos que utilizamos para arquitetar as relações humanas. Salas de aula, tribunais, famílias, ônibus, hospitais, todos esses espaços são regulados por sistemas de educação, justiça, família, coletividade, saúde etc. É importante dizer que, ainda que não tenhamos inventado a maior parte dos sistemas dos quais fazemos parte, nós somos responsáveis pela nossa participação neles.

Nós sofremos de cegueira sistêmica, ou seja, da incapacidade de perceber as normas dos sistemas que regularmente organizam nosso comportamento. Algumas atitudes convencionais parecem naturais, são ficções nas quais acreditamos com tanta força que muitas vezes sequer percebemos que há, sim, uma escolha em cada ação nossa.

A CNV é uma tática na qual, errando ou acertando, nós ganhamos, porque o objetivo é intensificar a conexão entre as pessoas. Se eu te pergunto sobre tuas necessidades e erro, tu me explica e nós dois ganhamos clareza. Se eu acerto, ganhamos clareza também. Assumir nossa incompetência frente ao mistério do outro é um passo necessário para entrarmos em contato.

O segredo não é gastar energia tentando negar as ideias que habitam nossas cabeças. Pelo contrário, essas ideias são atalhos para pensar o mundo e podem ser úteis como sistema de alerta. Contudo, se somos incompetentes e aceitamos nossa incapacidade de ler o território só com o mapa, precisamos observar como ele se apresenta e verificar o que do nosso mapa é útil para o contato real.

Precisamos estar presentes o suficiente para criar um espaço entre nossas ideias (porque agora já não são mais dos outros, já viraram nossas) e a realidade. Nesse espacinho, exercemos a observação e a partir daí atualizamos nosso mapa.

Qual foi a última vez em que algo irrelevante te tirou do sério? Provavelmente nunca, porque só nos irrita aquilo que, de alguma maneira, nos importa. A raiva é um indício de que nos importamos. O mesmo vale para a tristeza e para a alegria. Se estamos alheios ou indiferentes a algo, nós não sentimos nada.

Entretanto, somos ensinados que devemos controlar e suprimir nossas emoções. Raiva, tristeza? Nem pensar! Somos seres racionais e devemos ser lógicos, certeiros, frios, os sentimentos só servem para atrapalhar nosso julgamento! Quanto tempo perdido tentando ignorar algo que é parte de nós.

Nós somos o resultado de milênios de uma evolução precisa em que tudo o que persistiu conosco se provou mais útil para nossa sobrevivência. Como explicar os sentimentos, essas coisas avassaladoras que modificam nossa relação com o mundo de forma tão intensa? Uma proposta, corroborada pela neurociência, é a de que os sentimentos são um sistema de alerta muito fino para reconhecermos quando algo está fora de sintonia.

Para recuperar a sintonia, precisamos reconhecer nossa responsabilidade e para o que os sentimentos nos alertam.

A tristeza que sinto quando alguém querido me decepciona e a raiva que me consome quando alguém me agride são sentimentos que pertencem a mim. A agressão, ou o ato que serve como gatilho, pode vir de outra pessoa, mas o sentimento é um sistema interno meu para me avisar que tem algo errado. Meu, unicamente.

A responsabilidade pelo que eu sinto é minha, de mais ninguém.

Ninguém me deixa triste. Não há pessoa que me dê raiva. Essas frases são ficções que usamos para deslocar para longe de nós a responsabilidade por aquilo que sentimos. Quando sinto raiva, tristeza, alegria, cabe a mim lidar com esses sentimentos, reconhecer o que eles querem dizer e escolher o que fazer com eles. Isso não significa que é fácil, mas algo que pode ajudar é compreender a razão por trás dos nossos sentimentos

Fonte: Talles Gubes

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